domingo, 1 de setembro de 2019

Quanto custa um esgar desse sorriso?


O meu relógio pouco passa das seis da matina e caminha para as sete com a mesma preguiça de quem inicia o seu dia a esta hora pornograficamente madrugadora. Por entre o horizonte cinza surgem formas humanas silenciosas e descoloridas, sendo as únicas excepções a meia dúzia de seres que ainda tropeça no copo de whisky da noite passada. Os bons dias, quando existem, passam ao meu lado em forma de leves murmuros dados por quem parece carregar o mundo às costas. E o mesmo se vai repetindo durante todo o trajecto que me leva ao palco onde reponho energias. Pela rua as pessoas cruzam-se sem destrancar o rosto, no comboio o revisor aborda os passageiros sem que os mesmos retribuam a saudação e na confeitaria os clientes dirigem pedidos aos funcionários com a mesma frieza que abominam no seu café. Compreendo que cada um vive a sua realidade, mas será que as pessoas não se apercebem dos poderes de um simples sorriso? Quantas vezes somos magicamente contagiados por uma palavra carinhosa, um pequeno gesto de simpatia ou uma saudação sorridente? Contagiamos quem nos rodeia e acabamos contagiados pela nossa atitude e por aquilo que recebemos de volta. Verdadeiros pormenores mágicos que fazem a diferença.


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